Pinturas clássicas gente — Tem coisa que o tempo não apaga. No automobilismo, além das vitórias, dos recordes e dos acidentes que pararam o mundo, existem as pinturas dos carros. Essas identidades visuais que grudaram na memória da gente e que, quando aparecem numa foto antiga, provocam aquele frio no estômago de saudade misturado com admiração. A Fórmula 1 já teve esquemas de cores tão bonitos, tão marcantes, que daria pena nunca mais vê-los num grid moderno. Pensando nisso, resolvemos fazer um exercício de nostalgia bem-vindo: quais pinturas clássicas mereceriam voltar às pistas hoje?
- A ÉPOCA DE OURO DAS PINTURAS
- O VERMELHO QUE DEFINIA A FERRARI
- O AMARELO E PRETO DA RENAULT QUE MARCOU ALONSO
- O VERDE DE JAGUAR QUE DUROU POUCO DEMAIS
- O PRETO E DOURADO DA JPS LOTUS
- O LARANJA DE MCLAREN QUE POUCOS LEMBRAM
- O AZUL E BRANCO DA WILLIAMS NO AUGE
- O PRATA QUE VIROU SÍMBOLO DA MCLAREN
- O AMARELO DA JORDAN QUE ANIMAVA O GRID
- O AZUL DA TYRRELL E A ELEGÂNCIA PERDIDA
- A ESPERANÇA DE VER ALGO NOVO E ANTIGO AO MESMO TEMPO
A ÉPOCA DE OURO DAS PINTURAS
Antes de entrar na lista, vale entender por que as pinturas antigas eram tão boas. Simples: havia menos restrições, mais ousadia e, paradoxalmente, menos tecnologia de design. Os engenheiros e designers criavam com o que tinham, e o resultado muitas vezes era genial justamente pela limitação. Hoje, com softwares de ponta, as equipes às vezes entregam carros que parecem todos cortados do mesmo molde. Cinza, preto, branco com detalhes coloridos. A identidade visual virou quase commodity. Confesso que fico entediado quando o novo carro de alguma equipe é revelado e a pintura parece ter sido gerada por algoritmo. Sobre pinturas clássicas gente, vale acompanhar os próximos capítulos.
O VERMELHO QUE DEFINIA A FERRARI
O cenário envolvendo pinturas clássicas gente segue em evolução.
Começando pelo óbvio: o vermelho clássico da Ferrari. Não o vermelho atual, que já foi alterado algumas vezes e hoje tem uma tonalidade mais escura, quase vinho em certos ângulos. Estou falando do vermelho Ferrari original, aquele que cobria o carro do chefe ao rabo sem enfeites desnecessários, sem degradês, sem grafismos complexos. Só o vermelho. Esse vermelho era tão icônico que se tornou a cor de um país inteiro no automobilismo. A Itália era representada por ele. Quando Schumacher dominava o mundo com aquele F2004 vermelho impecável, você olhava para o carro e sabia exatamente o que estava vendo. Hoje a Ferrari ainda usa o vermelho, é claro, mas o carro virou um outdoor ambulante de patrocinadores com fontes diferentes e a pureza se perdeu. O cenário envolvendo pinturas clássicas gente segue em evolução.
O AMARELO E PRETO DA RENAULT QUE MARCOU ALONSO
Em meados dos anos 2000, a Renault entrou em campo com aquele amarelo intenso e preto. Fernando Alonso guiava e conquistou dois títulos mundiais com essa pintura. Havia algo de abelha gigante naquele carro, mas funcionava. A combinação era agressiva, diferente de tudo que estava no grid, e quando o R25 e o R26 apareciam na pista, chamavam atenção. A Renault que existe hoje na F1, rebatizada de Alpine, usou versões inspiradas nessa paleta algumas vezes, mas nunca conseguiu replicar a força daquele esquema original. Talvez porque o carro não ganhe nada. Ou talvez porque a magia não fosse só da pintura. A situação de pinturas clássicas gente merece atenção dos torcedores.
O VERDE DE JAGUAR QUE DUROU POUCO DEMAIS
A situação de pinturas clássicas gente merece atenção dos torcedores.
A Jaguar Racing durou apenas de 2000 a 2004 na Fórmula 1, e foi embora sem ter feito grande coisa em termos de resultados. Mas o verde britânico daqueles carros ficou. Era um verde profundo, elegante, com detalhes dourados que remetiam direto ao legado histórico da marca inglesa. Num grid que era dominado por prata da McLaren, vermelho da Ferrari e azul e amarelo da Renault, aquele verde se destacava de forma natural. A equipe sumiu e aquela pintura foi junto. Red Bull comprou a estrutura, pintou o carro de vermelho-touro e o resto é história. Mas juro que, numa pista molhada com aquele verde brilhando sob os holofotes, era uma cena cinematográfica. Sobre pinturas clássicas gente, vale acompanhar os próximos capítulos.
O PRETO E DOURADO DA JPS LOTUS
Aqui a gente entra no território sagrado. A Lotus com patrocínio da John Player Special, o cigarro, nos anos 70 e início dos 80, tinha uma das pinturas mais elegantes que o automobilismo já viu. Preto fosco com detalhes dourados, o nome JPS discreto mas presente, e uma linha que parecia ter sido desenhada por um estilista de moda em vez de um engenheiro. Ayrton Senna chegou a correr com essa pintura nos seus anos iniciais na categoria, e a combinação do piloto com o carro tinha uma poesia visual difícil de explicar. Óbvio que cigarro não patrocina mais nada, então a pintura exata não voltaria. Mas uma versão moderna desse preto e dourado, sem a marca do tabaco? Me parece um crime que nenhuma equipe tenha tentado isso de forma séria ainda. O cenário envolvendo pinturas clássicas gente segue em evolução.
O LARANJA DE MCLAREN QUE POUCOS LEMBRAM
Sobre pinturas clássicas gente, vale acompanhar os próximos capítulos.
Todo mundo associa McLaren ao prata. Mas a equipe tem uma história antes disso, quando corria com aquele laranja vivo que Bruce McLaren escolheu. O laranja papaia, como é chamado pelos fãs mais antigos, era a cor original da equipe fundada pelo neozelandês. A McLaren moderna fez um bonito movimento ao resgatar esse laranja nos últimos anos, e confesso que o carro laranja deles hoje é um dos mais bonitos do grid atual. Mas a versão original, simples, quase sem grafismos, com aquele laranja cobrindo tudo, tinha uma energia diferente. A McLaren de hoje acertou ao resgatar a cor, mas encheu o carro de informações visuais. Às vezes menos é mais. A situação de pinturas clássicas gente merece atenção dos torcedores.
O AZUL E BRANCO DA WILLIAMS NO AUGE
A Williams dos anos 90, com o azul escuro e branco do patrocínio da Rothmans, é uma das pinturas mais bonitas que já vi num carro de corrida. Mansell, Prost, Hill, Coulthard, Villeneuve… todos guiaram aquele carro icônico. A combinação azul e dourado, com detalhes brancos, tinha uma sofisticação que combinava com a seriedade técnica que a Williams representava naquela época. A equipe ganhava tudo, e o carro parecia saber disso. Hoje a Williams usa azul novamente, e o trabalho de identidade visual melhorou muito nos últimos anos. Mas chegar perto daquele azul Rothmans dos anos 90 ainda está fora do alcance. Sobre pinturas clássicas gente, vale acompanhar os próximos capítulos.
O PRATA QUE VIROU SÍMBOLO DA MCLAREN
O cenário envolvendo pinturas clássicas gente segue em evolução.
Por mais que eu tenha mencionado o laranja como saudade, seria desonesto não falar do período prata da McLaren como uma das grandes identidades visuais da história da categoria. Quando a parceria com a Mercedes começou e o MP4/13 apareceu no grid em 1998 com aquele prata absoluto, foi um choque visual. Sem patrocinador dominante, sem cor forte, só o prata metálico. E funcionou de um jeito que ninguém esperava. Hakkinen venceu dois títulos assim, e depois Coulthard levou aquele carro às vitórias mais importantes da carreira dele. A McLaren abandonou o prata quando a parceria com a Mercedes terminou, mas durante anos aquele prata era sinônimo de velocidade e eficiência. O cenário envolvendo pinturas clássicas gente segue em evolução.
O AMARELO DA JORDAN QUE ANIMAVA O GRID
Eddie Jordan era um homem de show, e o carro da Jordan Grand Prix refletia isso. O amarelo da equipe irlandesa, com variações ao longo dos anos mas sempre vibrante, deixava o grid mais alegre. No final dos anos 90 e início dos 2000, quando a Jordan ainda brigava por vitórias ocasionais e revelava talentos, ver aquele amarelo no meio do pelotão era garantia de entretenimento. Schumacher fez sua estreia num carro Jordan amarelo em 1991. Damon Hill venceu para a equipe em 1998. Ralf Schumacher, Heinz-Harald Frentzen, Rubens Barrichello… todos passaram por aquele amarelo animado. A equipe sumiu faz tempo, mas a saudade da alegria que aquela pintura trazia ainda existe. A situação de pinturas clássicas gente merece atenção dos torcedores.
O AZUL DA TYRRELL E A ELEGÂNCIA PERDIDA
A situação de pinturas clássicas gente merece atenção dos torcedores.
A Tyrrell Racing foi uma das equipes mais importantes da Fórmula 1 das décadas de 70 e 80, com Jackie Stewart conquistando três títulos mundiais. O azul da Tyrrell, discreto e elegante, representava um estilo de corrida que foi ficando para trás com a chegada do dinheiro grande na categoria. Não era a pintura mais chamativa do grid, mas tinha personalidade. Dizia algo sobre quem era aquela equipe. A Tyrrell foi engolida pela BAR em 1999 e sumiu para sempre. Aquele azul foi junto. Sobre pinturas clássicas gente, vale acompanhar os próximos capítulos.
O QUE A F1 ATUAL PERDEU –
Olhando para esse conjunto de pinturas clássicas, fica uma percepção clara: a Fórmula 1 perdeu personalidade visual ao longo dos anos. As equipes atuais, com poucas exceções, seguem fórmulas seguras. Preto dominante com detalhes de cor, branco limpo com logos grandes, cinza metálico. Funcionam bem para vender produtos dos patrocinadores, são bonitas na TV em alta definição, ficam bem em fotos. Mas falta alma. Falta aquele elemento que faz você olhar para um carro e sentir algo além de admiração técnica. O cenário envolvendo pinturas clássicas gente segue em evolução.
Me parece que o problema é estrutural. Os patrocinadores hoje têm muito mais poder sobre a identidade visual das equipes do que tinham antes. Cada centímetro quadrado do carro tem valor comercial, e encaixar cinco, seis, sete patrocinadores num esquema coeso de cores é um desafio que nem sempre termina bem. O resultado são carros que parecem colagens de logos mais do que projetos visuais pensados. As exceções existem. A Red Bull tem uma identidade forte. A Ferrari, apesar das mudanças, ainda é reconhecível de longe. A McLaren acertou ao resgatar o laranja. Mas o grid como um todo perdeu aquela diversidade visual que tornava cada carro único. Sobre pinturas clássicas gente, vale acompanhar os próximos capítulos.
A ESPERANÇA DE VER ALGO NOVO E ANTIGO AO MESMO TEMPO
A situação de pinturas clássicas gente merece atenção dos torcedores.
A boa notícia é que existe um movimento crescente dentro da categoria de valorizar o patrimônio histórico. As corridas de carros históricos, os livros e documentários sobre os anos de ouro, o interesse das novas gerações que descobriram a F1 pela série da Netflix… tudo isso criou uma audiência que aprecia o passado e cobra das equipes alguma conexão com ele. Algumas corridas especiais já viram equipes usarem pinturas históricas em homenagem a aniversários ou pilotos marcantes. McLaren fez isso bem. Ferrari também já resgatou elementos do passado em ocasiões especiais.
Mas uma pintura de homenagem para uma corrida só não é a mesma coisa que ver aquele esquema de cores ao longo de uma temporada inteira, evoluindo, ficando mais familiar a cada Grande Prêmio. A saudade das pinturas clássicas não é só estética. É saudade de um tempo em que cada equipe parecia ter uma identidade mais definida, uma personalidade mais clara, uma história sendo contada através das cores. Hoje essa história às vezes parece ter sido terceirizada para uma agência de branding. Sobre pinturas clássicas gente, vale acompanhar os próximos capítulos.
O futebol tem os uniformes tradicionais. O beisebol americano preserva designs de décadas. A Fórmula 1 poderia aprender alguma coisa com isso. Não necessariamente congelando as pinturas no passado, mas entendendo que consistência e identidade têm valor. Que um esquema de cores reconhecível ao longo dos anos vale mais do que uma reinvenção completa a cada temporada por causa de um patrocinador novo. Que o torcedor, o fã, a pessoa que acorda às três da manhã para ver uma corrida na Austrália, também merece ter aquele prazer visual de reconhecer o carro do time que torce mesmo de longe, mesmo num ângulo ruim, mesmo com a câmera tremendo. O cenário envolvendo pinturas clássicas gente segue em evolução.
Essas dez pinturas que ficaram na memória não voltarão exatamente como eram. O mundo mudou, os patrocinadores mudaram, as regulamentações mudaram, a forma do carro mudou. Mas o espírito por trás delas, aquela ideia de que um carro de corrida também pode ser uma obra visual com identidade própria, esse espírito podia muito bem voltar. E que bom seria.
Fonte oficial: Formula 1



